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Nove minutos de apresentação. Você está falando, ninguém está tocando no computador, e a tela começa a escurecer na frente de todo mundo. O movimento seguinte é sempre o mesmo: interromper a frase, sacudir o mouse, pedir desculpa e recuperar o ritmo.
O primeiro atrito é a apresentação e a chamada de vídeo. Enquanto você fala, a máquina entende que ninguém está usando ela, e o escurecimento acontece exatamente no trecho em que a sua atenção deveria estar inteira no outro lado da mesa.
O segundo atrito é o download longo. Arquivo grande, conexão instável, e a suspensão no meio do caminho derruba a transferência. Você volta de manhã e encontra a barra parada nos setenta por cento, com o trabalho pela metade.
O terceiro atrito é o render da madrugada. Exportação de vídeo, compressão de arquivo, processamento pesado que você deixou rodando de propósito à noite. Se a máquina suspender, o processo congela e a noite se perde.
O quarto atrito é a sincronização de nuvem e o backup. Serviço que precisa de tempo e disco acordado para terminar a fila. Suspender no meio significa recomeçar depois, e significa também que o backup que você acha que existe não existe.
O quinto atrito é a máquina que serve alguma coisa. Servidor local, transferência para outro computador da casa, acesso remoto que você vai usar mais tarde. Adormeceu, caiu a ponte.
O sexto atrito é a leitura sem as mãos. Receita aberta na bancada, partitura na estante, manual apoiado ao lado da bicicleta desmontada, tutorial em vídeo enquanto você mexe na peça. Você está lendo a tela, e a tela decide que não está.
O sétimo atrito é o paliativo que todo mundo inventa. Vídeo em loop no canto, mouse apoiado num relógio de ponteiro, peso em cima da tecla de seta. Funciona e é constrangedor, porque nenhuma dessas gambiarras é o que a máquina deveria exigir de você.
O oitavo atrito é o ajuste global nas preferências de energia. Você entra lá, desliga o adormecimento, resolve a tarefa da noite, e esquece de voltar. A máquina passa a semana seguinte acordada em cima da mesa, com a bateria descendo e a tela ligada à toa.
Mark Weiser escreveu no artigo The Computer for the 21st Century, publicado na Scientific American em 1991, que as tecnologias mais profundas são as que desaparecem, tecidas no cotidiano até se tornarem indistinguíveis dele. A tela que apaga no meio da frase faz o oposto: ela aparece.
Junte os oito e o desenho do que falta fica claro. Um interruptor de acesso imediato, que segure a máquina acordada pelo tempo exato da tarefa e devolva o comportamento normal sozinho, sem depender da sua memória.
O Amphetamine é essa peça. Um app gratuito de Mac que mora na barra do topo e decide, por sessão, quando a sua máquina tem permissão para dormir.
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