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MX Ergo: o cursor cruza 2 monitores com o pulso parado

A trackball da Logitech põe o cursor sob o polegar e ocupa um canto fixo de 13 centímetros da mesa.

Trackball Logitech MX Ergo numa mesa estreita, com o polegar sobre a bola cinza

O pulso parado e a bola sob o polegar

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Uma bola cinza de 34 milímetros, encaixada numa concha de plástico fosco e apoiada em três pinos pequenos. Ela prova que o cursor pode atravessar dois monitores sem que o pulso saia do lugar.

Quinta, 16h40. A mesa do apartamento tem 60 centímetros de fundo, e dois terços dela já estão ocupados: notebook no suporte, teclado, caneca, o caderno aberto da reunião das três.

O mouse ficou com um retângulo do tamanho de um envelope. Você arrasta para a direita, bate na caneca, levanta o mouse, volta ao centro, arrasta de novo. Três movimentos para atravessar uma planilha.

No fim da tarde, o ombro direito reclama. O braço passou o dia indo e voltando num trilho curto, e cada ida terminou com o mouse suspenso no ar.

A Logitech MX Ergo, trackball sem fio (o mouse de bola girada pelo dedo) vendida pela marca suíça desde 2017, mexe o cursor sem sair do lugar. A carcaça fica parada sobre a mesa. A mão descansa nela, e só o polegar gira a bola.

Um giro curto leva a seta de uma ponta à outra da tela. Um toque num botão pequeno, junto da bola, deixa o cursor lento para acertar a borda de uma célula ou o ponto exato de um corte.

O aparelho mede 13 centímetros de comprimento por 10 de largura, a área de um livro de bolso. Esse retângulo é tudo que ele pede, e a mesa ganha de volta a faixa que o arrasto ocupava. A caneca e o caderno podem ficar onde estão.

A base ainda se ajusta. Uma placa de metal imantada embaixo tem dobradiça, e a mão escolhe entre duas posições sem trocar de equipamento.

O roteiro começa pelo que o mouse comum cobra de quem trabalha em mesa rasa: espaço, viagem do braço e o gesto repetido de levantar e devolver.

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I  O Problema

Um mouse que precisa de pista

 
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O mouse de arrastar nasceu de um protótipo de madeira que Douglas Engelbart e Bill English montaram no Instituto de Pesquisa de Stanford, na Califórnia, em 1964. Desde aquela caixa com duas rodinhas, o princípio não mudou: o cursor anda quando o corpo do aparelho anda sobre a mesa.

Para andar, o mouse precisa de pista. Quanto mais tela, mais pista. Dois monitores lado a lado pedem que a mão percorra a largura das duas telas, em escala, sobre o tampo.

O sistema operacional compensa com aceleração do ponteiro (o ajuste que faz o movimento rápido levar o cursor mais longe). A conta funciona até a hora de mirar, quando o movimento fica lento, a aceleração some e a pista volta a faltar.

Quem trabalha em mesa rasa conhece o gesto que resolve: levantar o mouse no fim do trilho, voltar ao centro, baixar e arrastar de novo. Num dia de planilha, o gesto se repete dezenas de vezes por hora, e cada repetição move o antebraço, o cotovelo e o ombro.

O mouse comum cobra da mesa o espaço que o cursor percorre na tela, e cobra do braço a viagem de volta.

A mesa que não cresce

Apartamento novo, quarto que virou escritório, balcão da cozinha nos dias de casa cheia, mesa de coworking dividida com mais três pessoas. O tampo raso é a regra de quem trabalha em casa, e o teclado, o notebook e o monitor chegam primeiro.

O mouse fica com a sobra. Quando a sobra encosta na borda, o arrasto escorrega para fora do mousepad, o tapete dobra na quina e a seta trava no meio do caminho até o botão que você queria.

Longe da mesa, a situação piora. No sofá, no avião ou na cama do hotel não existe superfície lisa, e o sensor óptico pula quando passa por tecido.

O touchpad também cansa

O touchpad do notebook resolve a falta de espaço, mas pede o dedo esticado e o braço levantado sobre o teclado. Ele também tem pista: quando o dedo chega na borda do vidro, a seta para.

Arrastar um arquivo de uma janela para outra exige segurar o clique enquanto o dedo desliza. Se o dedo acaba antes da janela de destino, o arquivo cai no lugar errado, e a operação recomeça.

O que falta é um controle que fique parado na mesa, ocupe um retângulo fixo e deixe a viagem inteira por conta de um dedo só.

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II  A Descoberta

Uma bola que veio do radar

 
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A trackball é mais velha que o mouse. Ralph Benjamin, engenheiro britânico, desenhou em 1946 uma bola giratória para mover marcadores na tela de radar do Comprehensive Display System, sistema de defesa da Marinha Real (a força naval do Reino Unido). A bola ficava presa no console do operador, e a mão nunca precisava viajar.

A Logitech, empresa fundada em Apples, na Suíça, em 1981, vende trackballs de polegar desde o fim dos anos 1980. A MX Ergo, lançada em 2017, é o modelo mais caro da linha. A pauta saiu do Relatório de Pautas do Setup Memorável, de setembro de 2026, que reuniu os periféricos para mesa pequena.

A mão parada: a carcaça fica fixa sobre a mesa, com a palma apoiada na curva de cima. O polegar gira a bola de 34 milímetros, e os outros dedos ficam nos botões de clique. O que se move é a bola e a ponta de um dedo.

A base que se ajusta: a placa de metal embaixo é presa por ímã e tem uma dobradiça. Fechada, deixa a MX Ergo reta sobre a mesa; aberta, levanta a lateral em 20 graus. A troca leva um segundo e dispensa ferramenta.

O botão de precisão: a tecla pequena junto da bola, ao alcance do polegar, muda a velocidade do cursor na hora. Apertou, a seta anda devagar para acertar a alça de uma imagem ou a fronteira de uma coluna. Apertou de novo, volta ao ritmo normal.

Os outros botões: são 8 no total. A roda de rolagem inclina para os lados e rola na horizontal, útil em planilha larga e linha do tempo de vídeo. Os dois botões laterais fazem voltar e avançar no navegador.

Os dois computadores: um botão embaixo da roda alterna entre dois aparelhos pareados, como o notebook do trabalho e o computador de casa. A MX Ergo funciona no Windows, no macOS, no Linux e no iPadOS, pelo receptor USB ou por Bluetooth.

A bateria: a ficha técnica da Logitech, de 2017, promete 4 meses de uso por carga completa e 1 dia de uso para cada minuto na tomada.

A versão nova: a MX Ergo S, de 2024, troca a entrada micro USB por USB-C, deixa os cliques silenciosos e usa o receptor Logi Bolt (o adaptador sem fio mais recente da marca). Formato, bola e base continuam os mesmos.

O preço: a MX Ergo S sai entre R$ 450 e R$ 580 no varejo brasileiro, e o Logi Options+, aplicativo gratuito de ajustes da Logitech, configura todos os botões.

A MX Ergo trabalha num retângulo fixo de 13 por 10 centímetros, e a tela inteira passa por ele.

Onde ela não é a escolha certa: canhotos ficam de fora, porque o modelo só existe para a mão direita. Quem joga tiro em primeira pessoa sente falta do movimento largo do braço. E a bola junta poeira e gordura dos dedos nos pinos de apoio, o que pede limpeza a cada poucas semanas.

Na nossa opinião: aprovada. Para quem trabalha em mesa rasa, em dois monitores ou longe de uma superfície lisa, a bola sob o polegar devolve o espaço e poupa o braço da viagem.

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III  O Setup

Uma tarde para acertar a bola

 
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O roteiro usa o Logi Options+, baixado no site da Logitech, e cabe numa tarde de trabalho.

Passo 01: posicione o aparelho. Coloque a MX Ergo onde a mão direita cai quando o braço descansa, com o cotovelo apoiado na mesa ou no braço da cadeira. A palma deita sobre a carcaça, e o polegar encosta na bola sem esticar.

Passo 02: escolha a posição da base. Use a placa fechada, reta, por dois dias. Depois abra a dobradiça e teste a posição levantada por mais dois. Fique com a que deixa o polegar girar a bola sem que os outros dedos apertem a carcaça.

Passo 03: ajuste a velocidade. No Options+, suba a velocidade do cursor até meio giro do polegar levar a seta de uma borda à outra da tela. Com dois monitores, o giro inteiro precisa atravessar as duas.

Passo 04: treine o botão de precisão. Deixe a tecla com a função de fábrica. Aperte antes de mirar num detalhe, como o canto de uma imagem, e aperte de novo depois. Em poucos dias, o polegar faz o par de toques sem olhar.

Passo 05: programe os botões por aplicativo. O Options+ guarda um conjunto de funções para cada programa. No navegador, mantenha voltar e avançar nos botões laterais. No Excel, troque para aba anterior e aba seguinte.

Passo 06: pareie o segundo computador. Aperte o botão embaixo da roda até a luz do canal 2 piscar e conecte o outro aparelho por Bluetooth. Daí em diante, um toque troca de máquina.

Passo 07: limpe a bola uma vez por mês. Empurre a bola por baixo, pelo furo da carcaça, e passe um cotonete com álcool isopropílico nos três pinos de apoio. Encaixe de novo e gire para assentar.

Os primeiros dias são de mira torta, porque o polegar ainda não sabe a força certa. Insista uma semana antes de julgar: a mão aprende o giro e deixa de corrigir o trajeto.

Quem leva a janela até o segundo monitor sem tirar o pulso da mesa para de procurar espaço para o mouse.

Na quinta seguinte, 16h40, a caneca continua no mesmo canto, o caderno segue aberto, e a seta atravessa a planilha num giro de polegar.

“Qual canto da sua mesa você ganharia de volta sem o arrasto do mouse?”

A Logitech MX Ergo S sai entre R$ 450 e R$ 580 no varejo brasileiro, com receptor Logi Bolt, placa magnética de inclinação e o aplicativo Logi Options+ incluído sem custo (cotação de 03/10/2026).

 
 
 
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