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NextDNS barra o anúncio antes de chegar à TV

Um filtro de DNS na nuvem corta rastreador e anúncio para o Mac, o celular e a TV, com 300 mil consultas grátis por mês.

Painel do NextDNS com pedidos bloqueados da TV da sala

A TV pede, o filtro nega

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Uma smart TV de 50 polegadas, carcaça de plástico preto fosco, presa à parede da sala por quatro parafusos e um cabo de rede. Desligada pelo controle, a luz vermelha no canto continua acesa, e a placa de rede lá dentro segue mandando pedidos para a internet.

São 23h e ninguém está assistindo nada. O roteador pisca no rack, e cada piscada é um aparelho da casa perguntando onde fica algum servidor.

A TV pergunta por servidores de audiência. O celular, largado no sofá, pergunta por redes de anúncio de três aplicativos que ninguém abriu desde o almoço. O Mac do escritório consulta a telemetria (envio automático de dados de uso) de quatro programas.

Toda conexão começa por uma consulta de DNS, o sistema que traduz o endereço escrito em letra para o número do servidor. É a lista telefônica da internet, e o aparelho sempre consulta antes de ligar.

Quem atende a consulta, na maioria das casas, é o provedor de internet, que responde tudo sem filtro e ainda pode guardar a lista de endereços pedidos por cada cliente, aparelho por aparelho, hora por hora.

O bloqueador de anúncio do navegador só enxerga o navegador. Ele não roda na TV, não alcança o aplicativo do banco no celular e não sabe nada do aspirador robô ligado ao Wi-Fi.

O NextDNS, serviço de DNS na nuvem criado em 2019, se coloca no meio dessa consulta. Quando um aparelho pede o endereço de um rastreador conhecido, ele responde que o endereço não existe, e a conexão nem chega a sair.

Basta configurar uma vez no roteador para a TV, o celular, o Mac e a geladeira conectada passarem pelo mesmo filtro. O plano gratuito cobre 300 mil consultas por mês, e um painel mostra cada pedido barrado, com hora e aparelho.

Na seção I, a TV parada na parede revela quantas portas ficam abertas numa casa comum.

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I  O Problema

A TV conversa sozinha à noite

 
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A sala de uma casa comum tem hoje uma TV, dois ou três celulares, um notebook e algum alto-falante com assistente de voz. Cada um desses aparelhos fala com a internet o dia inteiro, mesmo parado.

O dono vê o aplicativo aberto na tela. As conexões feitas em segundo plano ficam escondidas, e é ali que mora a maior parte do rastreamento.

A tela grande também observa

Em 2019, pesquisadores da Universidade de Princeton e da Universidade de Chicago publicaram o estudo "Watching You Watch", sobre os canais das plataformas Roku e Amazon Fire TV. Eles encontraram rastreadores em 69% dos canais da Roku e em 89% dos canais da Fire TV.

Muitos desses rastreadores mandam o identificador do aparelho e o título assistido. Quem assiste não vê aviso nenhum, porque a TV não tem barra de endereço nem extensão de navegador.

A Comissão Federal de Comércio americana multou a fabricante Vizio em 2017 em US$ 2,2 milhões por coletar, sem consentimento claro, o que 11 milhões de televisores exibiam na tela.

O bloqueador que mora num lugar só

A solução mais conhecida é a extensão de navegador, como o uBlock Origin (bloqueador gratuito de anúncios e rastreadores). Ela funciona bem, só dentro do Chrome, do Firefox ou do Safari onde foi instalada.

No celular, o anúncio entra pelos aplicativos, e cada aplicativo tem o próprio caminho. Na TV, no console e no alto-falante não existe onde instalar extensão nenhuma.

Para proteger a casa inteira assim, seria preciso um bloqueador por aparelho, atualizado à mão, e ainda sobrariam os que não aceitam programa extra.

Quem bloqueia na porta protege todos os cômodos de uma vez.

O atalho caseiro

Por anos, quem queria o filtro na rede toda montava um Pi-hole, um programa gratuito de bloqueio por DNS que roda num computador pequeno ligado ao roteador, em geral um Raspberry Pi.

O Pi-hole resolve, mas pede um aparelho ligado 24 horas, atualização manual e alguma intimidade com linha de comando. Quando a placa queima ou o cartão de memória corrompe, a internet da casa cai junto.

Fora de casa, ele também para de valer. O celular saiu pela porta, trocou para o 4G, e os rastreadores voltaram a passar.

O NextDNS ataca os três pontos: filtra no DNS, sem programa em cada aparelho; roda na nuvem, sem computador ligado na sala; e acompanha o celular na rua.

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II  A Descoberta

Um filtro no meio do caminho

 
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O NextDNS nasceu em 2019, fundado pelos engenheiros franceses Olivier Poitrey e Romain Cointepas. A empresa mantém servidores espalhados pelo mundo, inclusive em São Paulo, e responde cada consulta pelo ponto mais próximo do aparelho.

Como o filtro decide

Cada conta ganha um perfil com um identificador de seis caracteres. Todo pedido de DNS que chega com esse identificador passa pelas listas de bloqueio escolhidas pelo dono.

As listas são públicas e mantidas por comunidades, como a OISD e a da AdGuard. Se o endereço pedido estiver numa delas, o NextDNS devolve uma resposta vazia, e o anúncio nunca chega a carregar.

O resto passa normal. Site de banco, streaming e email seguem abrindo sem atraso perceptível, porque a resposta sai do servidor mais próximo.

A consulta cifrada

O DNS tradicional viaja em texto aberto, legível pelo provedor de internet e por quem estiver na mesma rede. O NextDNS aceita DoH e DoT (DNS sobre HTTPS e DNS sobre TLS, os dois modos cifrados), e o pedido sai embaralhado do aparelho.

No iPhone e no Mac, um perfil de configuração liga o modo cifrado em todo o sistema. No Android, basta digitar o endereço do perfil no campo DNS privado, já presente nas configurações.

O painel que mostra tudo

A aba de registros lista cada consulta em tempo real, com o aparelho, o horário e o motivo do bloqueio. Na primeira hora, a TV costuma aparecer no topo da lista.

O registro pode ficar guardado de uma hora a dois anos, ou desligado, e o dono escolhe armazenar os dados na Suíça, na União Europeia ou nos Estados Unidos.

Um endereço trocado no roteador vale para cada aparelho que entra no Wi-Fi.

Plano grátis: 300 mil consultas.

Plano Pro: US$ 1,99 por mês.

Funciona em: qualquer aparelho com DNS.

Apps: iPhone, Android, Mac, Windows.

Quando não compensa: rede com DNS travado.

Alguns roteadores de operadora não deixam trocar o DNS, e algumas TVs ignoram o DNS da rede. Nesses casos, o filtro vale só nos aparelhos configurados um a um.

Passadas as 300 mil consultas do mês, o NextDNS segue resolvendo endereços, mas para de filtrar até o mês virar. Uma casa com muitos aparelhos costuma estourar a cota antes do dia 20.

Nosso parecer: aprovado.

Serve a quem divide a rede com TV, celulares e aparelhos conectados e quer o mesmo filtro em todos, sem instalar nada em cada um.

Ver o NextDNS →

 
 

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III  O Setup

A casa inteira em 15 minutos

 
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A configuração completa leva 15 minutos e pede uma conta gratuita, o acesso de administrador ao roteador e o celular à mão.

Passo 01: crie a conta. Entre em nextdns.io e cadastre um email. O painel abre com um perfil novo e o identificador de seis caracteres no topo da aba de configuração.

Passo 02: ligue as listas. Na aba de privacidade, adicione a OISD e a lista nativa do NextDNS para rastreadores. Ative também o bloqueio de rastreamento nativo de fabricantes, com Samsung, Apple e Roku marcados.

Passo 03: troque o DNS do roteador. Abra o painel do roteador, em geral pelo endereço 192.168.0.1, e substitua os dois servidores DNS pelos endereços IPv4 indicados na aba de configuração.

Passo 04: vincule o IP de casa. Ainda na aba de configuração, clique em vincular o IP. Sem esse passo, o NextDNS não reconhece a rede pelo endereço comum e deixa o filtro de lado.

Passo 05: leve o celular para a rua. No iPhone, instale o perfil pelo site apple.nextdns.io. No Android, escreva o endereço do perfil no campo DNS privado. O filtro passa a valer no 4G.

Passo 06: nomeie os aparelhos. Na aba de registros, dê nome a cada aparelho que aparecer. A lista fica legível e mostra qual deles faz mais pedidos.

A primeira noite

Às 23h, a TV volta a falar sozinha. Desta vez, a aba de registros mostra os pedidos para servidores de audiência marcados em vermelho, um embaixo do outro, todos barrados.

De manhã, o painel resume a noite: quantas consultas a casa fez, quantas foram bloqueadas e qual aparelho mais tentou. O celular do sofá aparece em segundo lugar.

Os cuidados

Se algum site ou aplicativo parar de funcionar, procure o endereço na aba de registros e coloque na lista de permitidos. O ajuste leva segundos e vale para a casa toda.

Dispositivo com DNS fixo de fábrica, comum em algumas TVs e no Chromecast, precisa de configuração própria ou de regra no roteador que force o DNS da rede.

O filtro mora na porta da casa, e o anúncio para antes de entrar.

O plano gratuito do NextDNS custa R$ 0 e inclui 300 mil consultas por mês, todas as listas de bloqueio e o painel completo; o Pro, sem limite de consultas, sai por US$ 1,99 por mês, perto de R$ 10,05 com o dólar a R$ 5,05 (cotação de 19/10/2026). Por trás do serviço está um engenheiro com passado no vídeo online.

Fica a pergunta  ·  até amanhã

Qual site de vídeo o francês Olivier Poitrey ajudou a fundar antes de criar o NextDNS?

 
 
 
Quiz da edição

Em 2017, por quanto a Comissão Federal de Comércio americana multou a fabricante Vizio por coletar, sem consentimento claro, o que 11 milhões de TVs exibiam na tela?

AUS$ 500 mil
BUS$ 2,2 milhões
CUS$ 5 milhões
DUS$ 300 mil

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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