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O Fifine AM8 de R$ 300 encarou o Shure de R$ 3.000

Num teste lado a lado, o microfone barato soou mais limpo, e a explicação estava nos centímetros até a boca.

Fifine AM8 e Shure SM7B lado a lado numa mesa de gravação em casa

Dois microfones, a mesma voz, a mesma sala

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Um microfone de metal preto, grade de aço na cabeça e um anel de luz colorida na base, ligado ao computador por um único cabo USB-C. É o Fifine AM8, vendido perto de R$ 300, e ele derruba uma crença cara de quem já montou um canto de gravação em casa.

No teste da casa, ele ficou lado a lado com o Shure SM7B, o microfone dinâmico (aquele que gera o sinal por uma bobina movida pela voz) mais famoso dos podcasts, vendido no Brasil por cerca de R$ 3.000. Mesmo texto, mesma voz, mesma sala, gravado nos dois ao mesmo tempo.

Quem ouviu as duas faixas sem saber a ordem apontou o AM8 como a voz mais limpa, com mais grave e menos eco. O microfone dez vezes mais barato venceu a primeira rodada.

O resultado tem explicação física, e ela pouco tem a ver com o logotipo gravado na grade. O AM8 estava a quatro dedos da boca. O SM7B, preso num braço articulado, tinha escorregado para um palmo e meio, apontado para o queixo.

A sala ajudou a decidir. Havia um ventilador de teto ligado e uma janela de vidro atrás da mesa, devolvendo a voz para os dois microfones.

Os dois gravaram o mesmo ventilador e o mesmo vidro. O AM8, com a boca perto, captou a voz forte o bastante para deixar o resto lá atrás, baixinho. O SM7B, longe, precisou de ganho alto e trouxe a sala inteira junto com a fala.

Na segunda rodada, com os dois na mesma distância e o ventilador desligado, a escolha virou cara ou coroa. O som mudou com a posição, e a posição custa R$ 0.

Microfone caro costuma ser comprado para resolver um problema que, na maioria das mesas, mora na sala e no braço do suporte. A seção I mostra de onde vem a voz abafada, com cara de banheiro, que nenhuma marca conserta sozinha.

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I  O Problema

O eco mora na sala

 
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A resposta de ontem

Qual site de vídeo Olivier Poitrey fundou antes do NextDNS?

O Dailymotion, lançado em Paris em março de 2005 por Benjamin Bejbaum e Olivier Poitrey. Poitrey foi o diretor técnico do site por anos, depois liderou equipes de engenharia na Netflix, e só então, em 2019, abriu o NextDNS com Romain Cointepas, segundo o perfil público dele e a página da empresa.

O Shure SM7 chegou às lojas em 1973, desenhado para locução de rádio. Em 1982, o engenheiro de som Bruce Swedien usou o modelo para gravar vocais de um disco de Michael Jackson que viraria o álbum mais vendido do planeta.

A fama atravessou quatro décadas. Quando os podcasts em vídeo cresceram, o SM7B, versão atual do modelo, virou peça de cenário: aparece na frente de apresentadores do mundo inteiro, e a câmera transformou o microfone em sinal de seriedade.

O preço da vitrine

Quem compra o SM7B leva para casa 765 gramas de metal que pedem muito ganho (o quanto o aparelho amplifica o sinal fraco da cápsula). Ligado direto numa interface de áudio barata, ele chega baixo e chiado.

Muita gente resolve somando um pré-amplificador extra, como o Cloudlifter (caixinha de reforço de sinal ligada entre o microfone e a interface). Com interface, cabo e braço, a cadeia completa passa com folga dos R$ 4.000 em lojas brasileiras.

E mesmo com tudo ligado, a gravação de casa costuma sair pior do que a do estúdio que aparece nos vídeos.

O microfone ouve o cômodo

Um estúdio profissional gasta mais em espuma, painel e porta grossa do que em microfone. As paredes engolem o som que bate e voltaria, e o ar-condicionado fica em outra sala.

Em casa, a voz sai da boca, bate no vidro da janela, no tampo da mesa e na tela do monitor, e volta para o microfone alguns milésimos de segundo depois. Esse retorno é o eco curto que deixa a gravação com cara de banheiro.

Junto chega o som de fundo: ventilador, geladeira, a rua, o teclado. Nenhum deles some porque o microfone custou dez vezes mais.

O microfone grava a sala inteira, e a voz é só a parte mais alta dela.

O erro do braço comprido

O braço articulado, suporte de mola preso na borda da mesa, piora o quadro. Ele tira o microfone da frente do rosto para liberar a câmera, e o dono passa a falar de lado, a dois palmos da grade.

Nessa posição, a voz chega fraca e a sala chega forte. O dono sobe o ganho para compensar, e o ganho sobe tudo junto: voz, eco e ventilador.

Daí vem a decepção com o microfone famoso dentro de casa. O defeito raramente está na cápsula. Ele está nos 30 centímetros de ar entre a cápsula e a boca.

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II  A Descoberta

Quatro dedos de distância

 
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O Fifine AM8 é um microfone dinâmico da Fifine, fabricante chinesa de áudio de entrada. Ele tem duas saídas: USB-C, que liga direto no computador, e XLR (o conector redondo de três pinos dos estúdios), que aceita uma interface quando o dono quiser crescer.

Pelo USB-C, ele dispensa interface e pré-amplificador. O ganho se ajusta num botão giratório no corpo, e um toque no topo corta o som na hora.

A física da distância

O som perde força rápido no ar. Pela lei do inverso do quadrado, regra básica da acústica, cada vez que a distância até a boca dobra, o som direto cai cerca de 6 decibéis (a unidade de intensidade sonora), queda que o ouvido nota com clareza.

A sala não sofre o mesmo tombo. O eco e o ventilador chegam ao microfone com força parecida em qualquer ponto da mesa. Quando a boca se afasta, só a voz perde; o fundo fica onde estava.

Com o AM8 a quatro dedos, perto de 8 centímetros, a voz domina o sinal e o ganho pode ficar baixo. Com o ganho baixo, o ventilador quase desaparece da faixa.

O grave que vem de graça

Microfones como o AM8 e o SM7B têm efeito de proximidade (reforço do grave quando a boca chega perto). É ele que dá à voz o corpo de locutor de rádio, e aparece em qualquer microfone desse tipo, caro ou barato.

Bruce Bartlett e Jenny Bartlett descrevem o efeito no manual Practical Recording Techniques (Sams, 1992) como ferramenta de ajuste: aproximar engorda a voz, afastar deixa a voz mais fina.

No teste da casa, a segunda rodada pôs os dois microfones a 8 centímetros, lado a lado, com o ventilador desligado. As faixas ficaram tão parecidas que a escolha virou sorte.

Oito centímetros de ar mudam mais a voz do que R$ 2.700 de microfone.

Preço: perto de R$ 300.

Tipo: dinâmico, USB-C e XLR.

Extras: saída de fone e mudo.

Funciona em: Mac e Windows.

Quando fica devendo: sala com eco forte.

Nenhum microfone dinâmico apaga o eco de uma sala vazia de paredes lisas. O AM8 reduz o problema por exigir a boca perto, mas não substitui uma cortina ou um tapete.

O anel de luz colorida é enfeite de transmissão ao vivo e desliga num botão. Quem grava ao lado de outra pessoa falando também vai ouvir a outra voz, mais baixa, ao fundo.

Nosso parecer: aprovado.

Serve a quem grava aula, reunião, podcast ou live numa mesa de casa e topa falar perto da grade.

Ver o Fifine AM8 →

 
 

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III  O Setup

A mesa afinada em 20 minutos

 
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A afinação completa leva 20 minutos e pede o microfone, um fone de ouvido e qualquer programa de gravação, até o gravador de voz do sistema.

Passo 01: aproxime. Prenda o AM8 a quatro dedos da boca, um pouco abaixo do queixo, com a grade apontada para os lábios.

Passo 02: tire do caminho do sopro. Incline o microfone uns 30 graus para o lado. Os plosivos (o jato de ar do p e do b) passam rente à grade e param de estourar.

Passo 03: acerte o ganho. Fale na voz de sempre e gire o botão até os picos baterem perto de -12 dB no medidor (a escala do programa, em que 0 é o teto antes de distorcer).

Passo 04: desligue o fundo. Ventilador, ar-condicionado, notificação do celular e a porta aberta para o corredor saem da gravação antes do primeiro teste.

Passo 05: amacie a sala. Cortina fechada, tapete no chão e uma estante cheia de livros atrás da cadeira quebram o eco do vidro e da parede lisa.

Passo 06: grave e ouça. Grave 30 segundos de texto lido e ouça no fone, de olhos fechados, antes de mexer em qualquer botão.

O teste em casa

Grave a mesma frase três vezes: a dois palmos, a um palmo e a quatro dedos. A terceira chega com mais grave, menos eco e menos ventilador, sem trocar de microfone.

O mesmo teste serve para quem já tem um microfone caro na gaveta. Se ele decepcionou até aqui, a distância provavelmente responde por quase toda a decepção.

Os cuidados

Falar perto pede constância. Virar o rosto para ler a segunda tela derruba a voz na hora, então o roteiro deve ficar na mesma direção do microfone.

Boca colada demais, abaixo de dois dedos, engorda o grave além da conta e deixa a respiração aparecer entre as frases.

A marca fica na grade, e o som se decide no palmo entre a grade e a boca.

O Fifine AM8 sai por volta de R$ 300 na Amazon Brasil, com cabo USB-C, saída de fone, botão de mudo e a saída XLR para crescer depois; o Shure SM7B custa cerca de R$ 3.000, sem cabo e sem pré-amplificador (cotação de 20/10/2026). A grade do famoso, na versão original, gravou vocais de um disco de 1982 que nenhum outro álbum alcançou em vendas.

Fica a pergunta  ·  até amanhã

Qual disco de Michael Jackson teve vocais gravados no Shure SM7 pelo engenheiro Bruce Swedien?

★ RARO

🔒

EDIÇÃO SELADA

Quem leu até aqui tem mais um achado desta edição atrás do lacre.

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Segundo a edição, pela lei do inverso do quadrado, quanto o som direto cai cada vez que a distância até a boca dobra?

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B12 decibéis
C6 decibéis
D9 decibéis

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